Por Débora Máximo

 



Às vezes, julgamos as coisas de maneira apressada, baseados apenas no que enxergamos de longe. Outro dia, navegando pelo Instagram, vi que estava na moda usar balaclava. Meu pensamento foi imediato: “Que coisa feia! Para que tudo isso? Nem é elegante.” Eu estava no meu conforto, no meu clima, e aquela peça simplesmente não fazia sentido para mim.

Mas a vida tem formas curiosas de transformar o nosso ponto de vista. Viajei e, de repente, me vi em um navio enfrentando um frio que cortava a pele. Quando entrei na loja e encontrei uma balaclava preta, com pelinhos ao redor do rosto, ela me pareceu a coisa mais linda e necessária do mundo. O que mudou? O objeto era o mesmo; a minha necessidade é que era outra.

Essa experiência me levou a refletir sobre como o nosso julgamento, muitas vezes, é uma questão de conveniência. Vemos isso acontecer o tempo todo nas redes sociais, especialmente nessa mistura intensa de Carnaval e política. Muita gente que hoje considera “lindo” e legítimo ver o presidente sendo homenageado na avenida é a mesma que, num passado recente, criticava duramente outros candidatos por atitudes semelhantes.

Antes, qualquer tentativa de usar a visibilidade de um desfile para exaltar um líder era barrada ou apontada como “apropriação” de uma festa popular. O olhar era rígido; a regra parecia clara: a avenida deveria ser livre de propaganda. Agora, assim como a balaclava que se tornou “linda” no frio, o que antes era propaganda passa a ser chamado de “homenagem”, dependendo de quem está sendo celebrado.

No fim das contas, percebemos que o nosso julgamento raramente é apenas sobre o fato em si, mas sobre quem está no centro dele. O que ontem era condenado como erro ético pode se tornar aceitável – até aplaudido – quando atende aos interesses de quem observa. É fácil criticar o “agasalho” do outro quando estamos confortáveis. Difícil é admitir que, quando o vento muda, muitas opiniões mudam junto.


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Débora Máximo é influencer e graduanda em Psicologia


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